26/06/2013

Camila

É impossível encontrar os livros da Clarah Averbuck assim, pelas esquinas da Internet, achei o Máquina meio na sorte, nem sei como.
Parece que vivi cem anos lendo a vida da Camila. Parece que eu morri, fui Camila e depois retornei e minha vida é sem graça, cheia de buracos e de lacunas e de poços onde eu caio e de onde saio, mas é minha vida. Me orgulho dela (será?), eu tento, tento viver do meu jeito, acreditar nas coisas que acho certas e vez ou outra cair em contradição pra ficar tudo mais bonito e menos perfeitinho. Minha mãe odeia, acha que eu sou louca (eu sou mesmo - TPL) por não querer casar, ter filhos e netos e não ver felicidade na xícara de café às sete da manhã, a questão é que eu quero casar, ter filhos, netos, gatos, cachorros, ratos, peixes, quero reclamar do café e deixar bilhete no espelho do banheiro. Vejo felicidade no café, na chuva, na cama, vejo felicidade naquela flor que saiu com a cor diferente e é toda única e vejo naquela que é igual as outras também, mas que talvez por isso seja especial. Eu quero isso. Mas quero do meu jeito. Quero quando eu quiser. Quero poder ser eu e me sentir eu.
Eu não sou a Camila, sou muito diferente, mas gosto do jeito que ela vive, gosto de como ela ve as coisas, eu não conseguiria, sou metódica, curto minha rotina meio atrapalhada, gosto de ser professora de Inglês e gosto de gostar dessa minha vida monótona, gosto do sabor do café e da vódca que eu juro que odeio mas que bebo se não tiver mais nada. Eu gosto de ser quem eu sou e só percebi isso quando vivi a vida da Camila e saí com gosto de porra na boca. Odeio porra.
Ás vezes eu até curto sexo com homem, mas só sexo, homem não serve pra namorar, pra ficar juntinho, não pra mim pelo menos. Nunca gozei com homem, mas eu gosto, acho excitante, acho bonito mesmo. Já transei com caras que transavam bem e com caras que transavam mal e isso não influenciou no jeito como eu me senti, fui pela alegria do momento, pela excitação e não pelo orgasmo. Não curto transar pelo orgasmo.
Já com meninas é diferente. Não tem nada mais bonito do que transar, foder, fazer amor, com mulher. As caras, as bocas, os sussurros, os suspiros, os gestos, o carinho e a falta dele; é tudo lindo demais. Eu me derreto na cama com uma mulher. Com mulher eu gozo. E gosto de gozar com mulher.
Mas pra transar comigo tem que deixar claro, na pegada inicial, se a gente vai foder ou vai dormir junto, por que ai o sexo muda também. Eu gosto dos dois. Gosto de sexo e gostei mais ainda de perceber que se eu falar de sexo e alguém não gostar não tem problema. Foda-se. Todo mudo transa e quem não transa, vai transar ou não vai mais e se fudeu.
A Camila me exorcisou de mim mesma.
To livre.

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