06/06/2013

Amor e traição

Por vezes eternamente pior quando escondido, o simples ato de virar-se de costas denota a consciência do erro e a necessidade do perdão não pedido que, todos sabem hora ou outra virá.
O que não sabem é que o ato de virar-se também mostra o desejo de manter segredo, o que faz com que o outro se sinta excluído e parte de nada. O amor provindo desse ato só pode ser tido como obrigatório, é amor que pede perdão e por isso, talvez, o sorriso seja aquele de quem chora num enterro.
O fazer escondido transpassa traição tida como errada até mesmo pelo traidor. Ele conhece o ato, sabe o que pode causar, mas ainda assim, consciente de ser o assassino do amor até então julgado o mais belo de todos, fecha os olhos e se priva da responsabilidade. Se assegurando de se convencer disso em cada pensamento.
Outra coisa que nem todos sabem é que algo pode ser sentido com mais força do que essa simples traição já discutida que é a de virar-se de costas; a demonstração de amor que vem logo após a traição. É tão forte que faz o traído se sentir culpado por não ter tido forças para lutar contra a traição e permanecer ali, contando os dias, as horas, se fazendo necessário e torcendo para que tudo de errado por que ele estará lá quando isso acontecer, mas não é isso que importa.
A traição e o amor são as únicas coisas que importam. Ainda não certo de que o amor pode vir da traição, não o amor pelo objeto da traição, é claro, mas o amor pelo ser traído. Talvez sentir esse amor seja a mais pura das sensações, pois esse pode ser o amor mais puro já que é o amor provindo da consciência do erro.
Alguns virarão a cabeça ao ler isso sabendo que são traidores, não façam isso! Não são traidores do amor, somente do ser traído, não traem o amor enquanto não amam o objeto da traição. Se afastem da sociedade quando se pegarem amando o objeto da traição e afastem o ser traído do objeto.
Amor e traição não coexistem, nascem um do outro, mas não coexistem

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